BANDA E FANFARRA

Há uma corrente entre os pesquisadores que interpretam que o termo “BANDA DE MÚSICA”, seja o feminino de “Bando”, que caracteriza os bandos alegres que viviam em Paris, após a queda da Bastilha, que surgiram e se tornaram populares, sendo consideradas as primeiras bandas de música.
   Em nosso país, quando apareceram as primeiras Bandas, trazido por D. João VI, em seu séquito, estava intimamente ligada à religiosidade católica e quanto à música popular que veio para o Brasil, não sendo música erudita da elite, passaram a ser de aventureiros, de pessoal de rua, etc., que mudaram, substancialmente, as bandas de músicas no Brasil, a partir do século XIX.
   No tocante as Bandas Militares que surgiram também no século XIX, foram famosas as de Pernambuco, que marcaram época nas festividades religiosas e retretas. Em 1810, foram criadas as Bandas para os Regimentos de Cavalaria e Infantaria da Corte, havendo grande incentivo no reinado de Dom Pedro I, tendo em vista sua habilidade como compositor, pianista, etc. Já o Decreto Imperial de 25 de abril de 1842, previa até mais ou menos 1852, que os músicos usassem uniformes de fantasia, tradição napoleônica e cada Corpo fardavam seus músicos de acordo com o plano que o Comandante arranjava e submetia à aprovação do Ministro da Guerra. Abusavam do prateado nos enfeites. 

O atual 5º RCMec, (Quaraí), que descende da Legião de Tropas Ligeiras, assim descreve em sua história, sobre a Banda de música: “(...) Quando do retorno da Legião** a Capitania de São Paulo após a Guerra da Restauração (1774/1776). O governador* reorganizou a tropa incluindo uma Banda de Música. Depois disso, durante todo o século XIX, na nossa pesquisa infelizmente perdemos o contato biográfico com a banda, mas acreditamos que ela não tenha continuado a existir nos quadros regimentais nesse período, tendo apenas permanecido os clarins, necessários às ordens de uma unidade de Cavalaria, tanto a Cavalaria como a Infantaria e a Artilharia que formavam juntas as tropas da Legião, com o desmembramento desta, da mesma maneira, a banda deve ter tido um destino a que não foi possível saber. No começo do século XX, voltamos a encontrar transcrições referentes à banda, uma delas é do ano de 1903, quando a Ordem do Dia de 1º de fevereiro se fez referência de um “Contrato de Músicos” para tocarem na festa de Nosso Senhor de Bonfim em Uruguaiana.(...*).
 A trajetória do atual 5º RCMec, quando se encontrava em Uruguaiana, na data de 5 de junho de 1908, como 3º Regimento de Cavalaria, passou a ser o 8º Regimento de Cavalaria (nada a ver com o atual 8º R CMec) e de acordo com a nova organização do Exército, foi extinta a banda do Regimento. Seu Comandante publica na Ordem Regimental nº. 910, de 11 de março de 1909, a seguinte recisão de contrato, juntamente com a extinção da referida banda: “(...) Não possuindo os regimentos de Cavalaria pela nova organização do Exército, bandas de música, conforme se verifica pelo Artigo 12 das instruções citadas na primeira parte d’esta ordem do dia, fica rescindido o contracto que tinha com este Regimento, o ensaiador civil José Constantino Pereira, e extinta a banda de música podendo passar os músicos para a banda de clarins por transferência voluntária, mantidos os vencimentos que tiverem, enquanto o merecerem.”
 Conforme uma publicação da Ordem do Dia nº. 54, de 28 de março de 1910, o Ministro da Guerra, Gen Emídio Dantas Barreto, permitiu a organização das bandas nos Regimentos, sem prejuízo da instrução nem despesas. Com essa determinação, o Comando da Unidade referida, determinou: “que em quanto o serviço não o exigir os esquadrões não chamarão para o serviço as seguintes praças que compõem a banda (...). E foram relacionados para compor a mesma, dois sargentos, quatro clarins, dois anspeçadas e seis soldados.”

Em 1917, o Intendente Municipal, Dr. João Fagundes, contrata, por 30 mil réis, a banda de música do 8º RC (5º RCMec atual), para tocar uma hora, por ocasião da colocação da pedra fundamental para o edifício do Colégio das Freiras (Colégio do Horto);
      Transcrevemos em fac-simile a seguir, uma publicação efetuada no jornal de Uruguaiana, “A Nação”, em data de 14 de agosto de 1933, sobre o atual 8º RCMec, quando então, já se encontrava em Uruguaiana, como 8º RCI (Regimento de Cavalaria Independente), que tem o seguinte teor:

- “Todas as corporações militares primam por possuir uma banda de música de primeira representação. Em todas as partes as guarnições militares contam com seu conjunto musical, para o qual sempre estão voltadas as atenções dos comandantes de tropas. Em Uruguaiana já tivemos uma excelente banda de música, pertencente ao 5º RCI, então aqui aquartelado. Era considerada a mais perfeita tecnicamente, em toda a fronteira. Depois veio o levante militar de 1924 e aquele conjunto dissolveu-se. Posteriormente, o 5º RCI organizou nova banda, sob a direção do competente maestro Constantino (José Constantino Pereira). Mas com a transferência daquela guarnição para Rosário, ficou a cidade sem banda de música, pois o 8º RCI que para aqui veio, não contava com aquela guarnição. Vendo essa necessidade, o comando do 8º RCI (Major Octávio Siqueira – interino), num gesto louvável, deliberou organizar uma banda de música. E, pelos esforços despendidos pelo referido comando, a banda está hoje, perfeitamente organizada. O conjunto musical é composto de 20 figuras, todos músicos de primeira ordem. O instrumental da nova banda é completamente novo. Com o cuidado que vem sendo dispensado àquele conjunto, Uruguaiana possuirá novamente uma banda de música excelente. A 25 do corrente, dia do Soldado, a população terá oportunidade de ouvir a nova banda de música. Naquela data, o 8º RCI, fará uma passeata pela cidade, puxado pela sua banda de música.”

genFoi considerado como Patrono das Bandas de Músicas do Exército, o Cap. Músico Franklin de Carvalho Junior, (retrato neste), que foi como 1º Tenente, regente da Banda de Música da Força Expedicionária Brasileira.

Nasceu em 12 de agosto de 1903, na cidade de Magé/RJ e ingressou no Exército em 1926, sendo sargento Ajudante-Contramestre de música em 1934 e 2º Tenente Mestre de Música em 1944. Ao ser formada uma Banda de Música na FEB, com a junção das bandas dos 1º, 6º e 11º RI expedicionários, ele foi convocado para mestre dessa banda musical. Faleceu em Volta Redonda, em 2 de maio de 1980, no posto de Capitão. Durante sua trajetória, estudou música com o próprio pai, ingressou, em 1929, na Escola Nacional de Música (Hoje da Universidade Federal do Rio de Janeiro), estudando harmonia, contraponto e fuga. Composição e instrumentação, regência e clarineta. Recebeu a medalha de ouro da Escola Nacional de Música, na disciplina Clarineta. Organizou e regeu, por 20 anos, a Banda da Companhia Siderúrgica Nacional, teve participação ativa em vários setores de educação e cultura de Volta Redonda e foi idealizador e cofundador do Centro Musical de Volta Redonda, cidade que ele adotou residir, após o término da 2ª Guerra Mundial.

A atual Fanfarra da nossa 2ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, “Brigada Charrua”, consta de tido origem do 6º Regimento de Cavalaria Blindado, de Alegrete. Com a transferência da então 2ª Divisão de Cavalaria para Uruguaiana, em 5 de dezembro de 1940, parte daquela fanfarra acompanhou a Divisão alojando-se, na época, no então 8º RCI. Após passar um período na artilharia, hoje 22º GAC AP, foi transferida para o Esquadrão do QG da 2ª DC, que estava aquartelado na frente do nosso Grupo de Artilharia, desde 1967, e tinha o cognome de “Esquadrão Santa Rita” – Denominação esta que nunca foi oficializada. Em 1º de março de 1977, juntamente com esse Esquadrão, a Fanfarra vem ocupar sede junto ao Comando da 2ª Bda C Mec, onde se encontra atualmente.

Em 27 de maio de 1999, a Fanfarra foi agraciada com o Diploma de Honra ao Mérito pela Câmara Municipal de Uruguaiana, pelos relevantes serviços prestados a comunidade uruguaianense.  Nas palavras do seu atual Regente, 1º Ten Ademir da Cunha, nos transmite a confirmação objetiva da Fanfarra: “... não só executam peças militares, como também outras, próprias para concerto e do gosto popular, servindo assim, de eficaz elo de integração entre a tropa e a comunidade em que vive. Desempenha, também, importante papel na formação moral e cívica de nossas escolas e instituições, fazendo-se presente em solenidades, formaturas, inaugurações e atos públicos, dando-lhes brilho e dinamismo. O que distingue a Banda da Fanfarra,  por ser mais complexa, com instrumentos também usados em orquestras, enquanto na Fanfarra dominam os instrumentos de percussão, no caso, a nossa (se referindo da 2ª Bda C Mec), se chama Fanfarra por estar num quartel de cavalaria, porque no século XIX, todas as Fanfarras tocavam a cavalo e sempre eram denominados “Fanfarras” e assim teve esse nome pela cultura e não pelo instrumental”.

(*Histórico do 5º RCMec em CD – do Major Luiz Eduardo Lopes de Farias – pg 150/151).  “Históra militar do Brasil”/Gustavo Barroso/BIBLIEx; Histórico do 8º RCMec de Carlos Fonttes e depoimentos do 1º Ten Mus Ademir da Cunha). ).
- NOTA DO AUTOR:
   - **Legião – Origem do atual 5º RCMec (Legião de tropas Ligeiras criada pela Carta Régia de 14 de janeiro de 1775);
   -  * Governador da Capitania, Brigadeiro José Marcelino de Figueiredo.

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Carlos Fonttes - Pesquisador


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