Delegação de Uruguaiana participa do ‘Te Mexe Arrozeiro’

  Saturday, 3 February, 2018

Uma delegação de Uruguaiana participou, na quarta-feira, 31/1, de mais uma etapa do movimento ‘Te mexe Arrozeiro’, em
Restinga Seca. Representantes do setor orizícola do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina lotaram o parque de eventos da cidade. O evento três mil pessoas, representantes de 60 municípios.

As delegações dos dois estados convocaram deputados estaduais e federais, senadores e representantes do governo federal para discutir a crise do setor às vésperas da colheita da safra 2017/2018. Além de produtores, esteve o presente o vereador Carlos Alberto Delgado de David (PP), representando O Poder Legislativo. Já o Executivo foi representado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Aerton Auzani; e pelo secretário adjunto de Governo, Frederico Pellegrini.

Durante o evento, o presidente da União Central de Rizicultores (UCR), Ademar Kochenborger, disse que não há como produzir arroz com custo de R$ 45 por saca e com cotação de R$ 31. “Não sei onde vamos parar. Com a proximidade da colheita, a tendência é de que o preço caia ainda mais. Do jeito que as coisas andam, o setor arrozeiro está morto”, disse ele.

Ele lembrou que a situação de achatamento dos preços se agrava ainda mais pelo arroz importado dos países do Mercosul, como Uruguai, Argentina e Paraguai, que ingressa livremente pelas fronteiras no Brasil. “Basta uma carga de arroz do Paraguai entrar no Brasil para derrubar de vez os nossos preços. Imagine inúmeros caminhões entrando livremente no país pelo Mercosul sem qualquer tipo de restrição”, explica. Segundo ele, o setor pretende se mobilizar para pedir mais prazo ao comércio e aos bancos para poder segurar o produto, como forma de forçar a reação dos preços.

Mecanismos de Prêmio

Um dia antes do evento, em reunião com representantes da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou a adoção de mecanismos de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) para 1,2 milhão de toneladas de arroz via leilões. O recurso garantido para as operações é de R$ 100 milhões.

Demandas

O movimento Te Mexe Arrozeiro tem traz como demandas: 1. Renegociação de dívidas do setor com prazo e condições reais de pagamento; 2. Seguro de renda para a cultura; 3. Ajuste dos preços mínimos ao real custo de produção das lavouras irrigadas (R$ 43,); 4. Disponibilização de mecanismos de comercialização AGFs, PEP Exportação e Pepro com base nos preços mínimos revisados pelo custo de produção; 5. Reinserção dos arrozeiros ao crédito oficial mediante renegociação e securitização das dívidas em condições de pagamento condizentes com a realidade da lavoura; 6. Redução dos juros e custos do crédito oficial; 7. Liberdade de compra de insumos permitidos no Brasil (por princípio ativo) e fertilizantes no Mercosul com isenção de impostos de importação; 8. Equalização das tarifas de ICMS entre os estados brasileiros; 9. Aplicação da Lei Goergen que obriga fiscalização e testes fitossanitários em arroz importado para identificar a presença de resíduos, defensivos proibidos e contaminações; 10. Leis mais rigorosas para fraude na tipificação do arroz à venda com penas rigorosas para indústrias e industriais/responsáveis; 11. Redução dos juros e prazos de vencimento para o crédito privado liberado pelas indústrias; 12. Fortalecimento das entidades arrozeiras e maior representatividade dos pequenos e médios produtores da Depressão Central; 13. Transparência na elaboração e divulgação de dados de safra pelas organizações públicas para evitar impacto negativo ao mercado; 14. Formar uma comissão representativa; 15. Medidas de apoio à exportação.

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