Indiciados nove acusados por sequestro de adolescente

  Monday, 18 December, 2017

O delegado Enio Tassi indiciou ontem, 15/12, as nove pessoas presas pelo sequestro do adolescente J.P.A.S.O. de 15 anos, ocorrido no dia 14 de novembro, no centro da cidade. Maikon Sanhudo da Rosa, os irmãos Elisete, Elisangela e Elbio Fructos Campelo, os irmãos Dionatan Augusto e Luís Couti Antunes Camargo, os irmãos Alex Sander e Maicon Roger Gonçalves da Silva, e José Gustavo Ordoque Gonçalves, responderão por extorsão mediante sequestro, cuja pena pode chegar a 30 anos, e ainda por associação criminosa.

Além da natureza grave e cruel do crime, considerado hediondo, no caso especifico, alguns fatores colaboram para torna-lo ainda mais reprovável. Como por exemplo o fato de a vítima ser menor de idade, ter sido cometido por várias pessoas, e ainda o fato de a vítima ter permanecido em cativeiro por mais de 24 horas. Cada um desses fatores também deverá ser considerado pelo Ministério Público e pelo Judiciário no caso de condenação dos acusados.

Crime

J.P. foi abordado enquanto voltava para casa após a escola, por às 12h53min, na Rua Tiradentes, próximo a agência dos Correios, e forçado a embarcar em automóvel Renault Logan prata, ação que foi registrada por câmeras de segurança da região. Cerca de 20 minutos depois, a mãe do menino recebeu a primeira ligação dizendo que ele estava bem, mas seria morto se não fosse pago um resgate de R$ 200 mil. Ela procurou a polícia.

Tassi acionou não somente os policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Captura (Defrec), mas também das demais delegacias, que atuaram em conjunto, incessantemente. Cerca de 1h30min após o rapto, já estavam identificados os quatro primeiros suspeitos.

O carro, que já havia sido devolvido à locadora, fora alugado por Elisangela Fructos Campelo. Ao averiguar sobre ela, os policiais descobriram que é irmã da então empregada da família, Elisete Fructos Campelo. Rapidamente, chegaram a outros dois suspeitos. Élbio, conhecido como ‘Cabeça Quadrada’, irmão das mulheres, e Maikon Sanhudo, companheiro de Elisangela.

Prisões

Mesmo de posse dos mandados de prisão temporária para os quatro suspeitos, e de busca e apreensão para cinco endereços, a polícia aguardou. A prioridade era garantir a segurança da vítima, que ainda estava em poder dos sequestradores. Os policiais, que desde o dia anterior monitoravam os suspeitos ‘se deixaram ver’, fazendo com que os suspeitos soubessem que estavam sendo monitorados. A partir daí, a pressão foi aumentando e, por volta de 20h30min do dia 15, 33 horas após ser sequestrado, o adolescente foi libertado, sem o pagamento do resgate.

Assim que J.P. foi colocado em segurança, a polícia iniciou o cumprimento dos mandados. Élbio, Elisangela e Maikon foram imediatamente presos e Elisete se entregou à polícia no dia seguinte.

No dia 17 de novembro, mais um envolvido no crime foi preso, Alex Sander Gonçalves da Silva, na Rua Rodrigues Portugal. No dia 23, mais dois homens foram presos Maicon Roger Gonçalves da Silva, irmão de Alex Sander, e José Gustavo Ordoque Gonçalves, no bairro Rio Branco. Por fim, no último dia cinco, a Defrec prendeu Dionatan Augusto Antunes Camargo e Luís Couti Antunes Camargo. Os dois são de Alegrete e foram presos em casa, na cidade vizinha.

Investigação

Um robusto conjunto probatório foi arrecadado ao longo dos 30 dias de investigação. Entre elas, imagens de câmeras de segurança do dia do crime, do momento em que o adolescente foi libertado, e da vinda dos dois alegretenses para Uruguaiana, entre outras. Há ainda testemunhas com relatos precisos e a confissão de pelo menos dois dos acusados, que também delataram a participação dos demais.

Foi apurado que, Maikon contratou Alex Sander para tomar conta do cativeiro. Já os irmãos Antunes Camargo foram responsáveis por auxiliá-lo na captura da vítima. Maicon Roger e José Gustavo foram os responsáveis por soltá-lo depois do cerco da polícia.

Tassi também solicitou a conversão das prisões dos nove acusados, de temporárias para preventivas.

Comente esta notícia Gabriela Barcellos/Jornal Cidade

clique aqui para imprimir